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Luz Horne[1]

Felizmente nunca precisava rir de fato quando tinha vontade de rir: seus olhos tomavam uma expressão esperta e contida, tornavam-se mais estrábicos – e o riso saía pelos olhos. (Clarice Lispector, “Os laços de família”)

O que te digo deve ser lido rapidamente como quando se olha. (Clarice Lispector, Água viva)

Imagem – Instagram @impossiblefeatures

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Um dos problemas centrais que atravessa a obra de Clarice Lispector é o da sensação de estranheza em relação ao íntimo. Laços de família, publicado originalmente em 1960, reúne diferentes histórias aparentemente cotidianas, sem tramas nem intrigas muito complicadas, nas quais diversos personagens atravessam certas experiências que variam em seus matizes, mas que têm um ponto em comum: a recuperação de um laço primário, familiar, íntimo e afetivo que – de repente – se torna estranho e alheio, que se desfamiliariza. Trata-se de uma mudança de perspectiva que tem o poder de perturbar os pressupostos e as bases da vida mesma e que, portanto, gira aquilo que era familiar e próprio para mostrar seu avesso e revelar sua face estranha, rara, singular e inesperada. Os contos desse volume parecem se perguntar o seguinte: o que acontece quando algo irrompe em nossas vidas e nos vemos a nós mesmos – ainda que por um instante – como que através de um filtro? O que acontece quando há algo do mundo exterior, corporal, material ou objetivo que roça o íntimo e nos atira na intempérie, oferecendo-nos a possibilidade de nos olharmos de fora?

No conto que dá nome ao livro, uma mulher adulta com olhos estrábicos acompanha sua mãe até a estação de trem. A mãe volta para sua cidade depois de ter passado uma temporada na casa da filha. Ambas vão sentadas no assento traseiro de um táxi. Quando o carro freia violentamente, uma das mulheres cai sobre a outra e, com isso, também se produz um atrito inesperado, algo que no conto é nomeado como uma “intimidade de corpo há muito esquecida, vinda do tempo em que se tem pai e mãe”[2]. Esse laço parental primário que une ambas as mulheres e que se recorda fugazmente através de um contato corporal, resulta, no entanto, incômodo. Uma incomodidade que talvez provenha do fato de que é um laço que, no mesmo ato de afirmar-se, também se nega. Ou seja, quando elas se tocam e retornam a essa intimidade primária, mostra-se de forma flagrante que – apesar de serem mãe e filha e apesar de uma ter saído do corpo da outra – esse cordão foi cortado, que o laço já não existe da mesma maneira. Uma distância que fica exposta como um furo de linguagem, como algo que se quer dizer e que não se pode dizer. Mãe e filha não encontram um assunto para conversar: “depois do choque no táxi e depois de se ajeitarem, não tinham o que falar – por que não chegavam logo à Estação?”[3]. Na pressa por chegar e por terminar de se separar; no aperto e na proximidade corporal no táxi, que torna ainda mais clara a distância, surge um laço familiar e primário que inquieta. É algo pegajoso, algo que afeta como se viesse de fora, mas que, na realidade, vem de dentro. Ou ao contrário, que afeta como se viesse de dentro, mas que vem de fora. Em vez de falar disso que se apresenta para ambas e que não faz mais do que insistir como proximidade e como distância, a mãe se pergunta – e pergunta repetidamente para a filha – se teria se esquecido de algo. Enquanto isso, a filha chega ao núcleo do que quer dizer e que, mesmo assim, não diz: perguntar para a mãe se foi feliz com o pai e afirmar algo mais ou menos como ‘eu sou tua filha e você é minha mãe’. Apesar disso, as duas mulheres não fazem senão se aproximar desse núcleo, mas evitando-o, rodeando-o com uma conversa casual e banal que insiste em perguntar dissimulada e sintomaticamente: “[…] não esqueci de nada?”. Desse modo, elas não deixam de não o dizer, fazendo alusão a esse oco de um modo oblíquo, através de um riso que não sai da boca da protagonista como aconteceria com qualquer outra pessoa, mas que lhe escapa pelos olhos, desviado e estrábico junto com seu olhar.

O contato corporal com um laço primário abre para os personagens desses relatos um espaço de liberdade e uma permissão para agarrar o presente sem que as consequências importem; uma temporalidade fugaz que interrompe o tempo contínuo e previsível e que, nos textos posteriores de Clarice Lispector, aparecerá sob o conceito de “instante-já”. A mulher desse conto, ao chegar a casa depois de deixar sua mãe na estação, pega o próprio filho pela mão e, diante da surpresa do marido, sai com a criança pela rua em um gesto de independência. Na cena final, o marido olha sua família pela janela e se pergunta pela opressão do amor materno e pelo mistério da transmissão de sua herança:

Em que momento é que a mãe, apertando uma criança, dava-lhe esta prisão de amor que se abateria para sempre sobre o futuro do homem. Mais tarde seu filho, já homem, sozinho, estaria de pé diante desta mesma janela, batendo dedos nesta vidraça; preso. Obrigado a responder a um morto. Quem saberia jamais em que momento a mãe transferia ao filho a herança. E com que sombrio prazer.[4]

Essa distância espacial e reflexiva do homem em relação a sua própria família – um olhar de cima – o leva a vê-la de outro modo. Em uma cena que a literatura parecia ter copiado o cinema, o homem olha pela janela e a imagem que ele vê chega até ele como que filtrada. Vê as silhuetas de sua própria mulher e de seu filho deformadas, estranhas e até mesmo monstruosas: “Vistas de cima as duas figuras perdiam a perspectiva familiar, pareciam achatadas ao solo e mais escuras à luz do mar”[5].

A lembrança de um laço primário pertencente a um tempo anterior e esquecido também aparece no conto “Amor”. Ana, uma mulher de meia idade, casada e com filhos, sai em um bonde pelas ruas do Rio de Janeiro com a bolsa de compras no colo. De repente, vê um cego mastigando chiclete e isso lhe provoca um tamanho impacto que o pacote com as compras cai no chão e os ovos se quebram. Um líquido viscoso gruda por entre os fios da bolsa de tricô que Ana carrega no colo e que ela mesma havia tricotado. Com os ovos quebrados, a bolsa já não proporciona a sustentação que deveria oferecer, e o tecido – juntamente com o resto das tarefas de casa para as quais Ana havia canalizado um desejo artístico de juventude – perde seu sentido, desarma-se e se desata em fios soltos, também colocando em questão a vida estável, matrimonial e familiar de Ana: “A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo”[6]. Mas nos fios do tricô da bolsa também há uma linguagem, um sentido que se rompe e que excede ao próprio objeto: todo o mundo de Ana começa a claudicar e aquilo que lhe acontece não poderia ser nomeado senão como “uma estranha música”. O incidente com o cego e a queda fazem com que Ana se lembre de uma época distante e ela volta a sentir esse desejo antigo, jovem e livre que ela havia canalizado em uma domesticidade matrimonial e familiar, mas que, depois do acontecido, já não tem mais suporte: os ovos espatifados para fora das cascas e da bolsa que os continham a levam a descer do bonde e mudar seu percurso – improvisar livremente – para se dirigir ao Jardim Botânico e sentar-se para pensar, observar a natureza e olhar sua vida a partir de outro lugar; a partir do fora que brinda uma temporalidade outra.

Em todos esses incidentes vividos pelas protagonistas de Laços de família, repete-se um impacto com algo exterior e íntimo ao mesmo tempo; algo viscoso e pegajoso que se representa através do ovo e que, nos textos posteriores de Clarice Lispector, retornará por meio de imagens como as da placenta e das ostras. Isso aparece inclusive encarnado em personagens inteiros que se situam em um umbral entre o objetivo e o subjetivo. Como Macabéa, a protagonista do romance A hora da estrela, cujo ser representa em si mesmo uma potência semelhante àquela que as experiências das protagonistas de Laços de família carregam; uma potência que desestabiliza a divisão entre o dentro e o fora, entre o que é mental e o que é corporal, entre o que é íntimo e o que é público, entre o que é familiar e o que é estranho, entre o que é prazeroso e o que é doloroso, entre o belo e o repugnante; mas também – segundo um movimento que será cada vez mais pronunciado na obra de Clarice Lispector – entre uma escritura literária e uma outra que desafia constantemente as taxonomias e que fura a autonomia da literatura. Trata-se de uma sorte de materialidade que ganha vida; ou – pelo contrário – de uma vida que ganha densidade material, mas que, em todo caso, nos ajuda a pensar em outros modos de definir os limites entre as coisas, as pessoas e as palavras e que, portanto, nos abre o caminho para questionar aquilo que nos une e nos separa do mundo, da natureza e dos outros seres com que nos relacionamos.

O encontro com esse troço neutro que nos envia a um fundo primário do vivente – ao qual se regressa constantemente na obra de Clarice Lispector com a imagem do ovo – vai tomando diferentes formas nos contos do livro e põe no centro a pergunta pelo mistério da transmissão da vida e, por isso mesmo, retorna repetidamente sobre a figura da mãe. Os relatos escapam desse filão e insistem: de que modo se transmite esse algo de familiar em que nos reconhecemos como quase iguais aos nossos antepassados, mas em relação ao qual também percebemos uma pequena diferença? Como acontece, nessa passagem, a transformação de alguns traços enquanto outros passam quase intactos? Que aprendizagens recebemos desse laço amoroso primário a tal ponto que queiramos dar-lhe continuidade ou, pelo contrário, interrompê-lo em nossas próprias descendências? Pode-se, por acaso, escolher?

No conto “Feliz aniversário”, uma senhora mais velha faz aniversário e sua numerosa família – sua filha, seus filhos, suas noras e seus netos – se reúne para tomar ponche e festejar. A partir da ambiguidade do vínculo da única filha mulher com a mãe – cruel e cuidadoso ao mesmo tempo –, vão se tecendo as misérias das relações entre irmãos e irmãs: as disputas, rivalidades e culpas que finalmente se manifestam como um interesse mesquinho pela herança da “mãe de todos”; uma espécie de mãe universal ou simbólica que mostra cruelmente e sem repressão seu profundo desprezo pela mediocridade dos filhos. Mas a narrativa vai além do tema da avareza e do interesse prosaico por uma herança material – representada pelo bolo de aniversário. Isso porque, em um momento da tarde, uma das noras sente a chicotada dessa outra herança, aparentemente menos tangível, mas talvez mais pungente. Ela olha para a sogra e, por um brevíssimo instante em que dura a verdade, consegue ver nela algo mais do que uma velha: por trás de sua decrepitude, vislumbra as marcas de um tempo anterior; vê sua juventude e a mulher que ela foi. A passagem da vida e a proximidade com a morte se voltam para ela mesma como um bumerangue e irrompem como desejo de agarrar sua liberdade. De novo, o carpe diem: “Porque a verdade era um relance […] mais uma vez olhou para trás implorando à velhice ainda um sinal de que uma mulher deve, num ímpeto dilacerante, enfim agarrar a sua derradeira chance e viver”.[7]

Assim, esse relance que chega como uma verdade dá lugar a uma mudança de olhar e a um desprendimento, abre o mundo a uma perspectiva conhecida e inédita, repugnante e atrativa ao mesmo tempo; algo que – como dizia um dos títulos do manuscrito da primeira versão do romance Água viva – parece estar “atrás do pensamento”; algo que se atualiza como uma materialidade de linguagem sem significado e que ressoa por sua luminosidade, por sua cor ou por seu puro som. O ruído – talvez um eco rulfiano – também aparece em outros contos como um modo de nomear aquilo que não encontra palavras.

Laços de família volta uma vez e outra a buscar pelos modos de nomear isso que escapa de uma sustentação simbólica e que, no entanto, é linguagem; isso que não tem um lugar preciso e escorre como um ovo sem casca; isso que desestabiliza a lei social, familiar e moral, mas que também faz claudicar – kafkianamente – uma lei sintática. O conto em que essa vacilação atinge um ponto culminante talvez seja “A menor mulher do mundo”, que também tem como protagonista uma mãe, talvez a mais monstruosa de todas. Parodiando um relato antropológico, o conto apresenta a história de um explorador que descobre – no coração da África – a tribo dos menores seres humanos do mundo e, nela, a menor mulher da tribo, a qual – por sua vez – está grávida; ou seja, ela abriga em seu interior o gérmen do menor ser humano do mundo: “um filho mínimo”. Como se fosse uma caixa chinesa que encerra dentro de si algo cada vez mais inesperado – e como diz o narrador: “obedecendo talvez à necessidade que às vezes a Natureza tem de exceder a si própria”[8] –, esse conto nos leva ao extremo e ao excesso daquilo que todos os outros contos buscam: ao mais parecido e familiar – um ser humano como qualquer um de nós – e, ao mesmo tempo, à alteridade mais radical, ao mais raro e extraordinário que jamais existiu:

Foi, pois, assim que o explorador descobriu, toda em pé e a seus pés, a coisa humana menor que existe. Seu coração bateu porque esmeralda nenhuma é tão rara. Nem os ensinamentos dos sábios da Índia são tão raros. Nem o homem mais rico do mundo já pôs os olhos sobre tanta estranha graça. Ali estava uma mulher que a gulodice do mais fino sonho jamais pudera imaginar.[9]

Com essa mudança de escala, a imagem da mãe se torna em si mesma monstruosa para, em seguida, sair dos limites da figura parental e provocar – esticando o conceito de família – uma vacilação nas próprias bordas do humano. Com a mãe desse conto, as taxonomias explodem e a literatura de Clarice Lispector se desloca desse território no qual a intimidade parece remeter unicamente à psicologia de um sujeito individual e ao romance familiar – a partir do qual muitas vezes ela é lida – para mergulhar no coração do político; ou melhor, para revelar a politicidade que a própria vida abriga e, portanto, os íntimos laços que nos unem a ela. No romance Água viva, ela voltará a retomar isso: “Não vou ser autobiográfica. Quero ser ‘bio’”[10]. Com a mãe desse conto, já não se questionam apenas os laços de família – entendendo o conceito de família como núcleo da sociedade burguesa –, mas também se arrebentam as bordas dessa outra família mais ampla; as bordas daquilo que costumamos chamar de humanidade. O que se desfamiliariza com a mãe desse conto é o laço que nos une enquanto espécie.

O explorador tira uma foto da menor mulher do mundo grávida, uma foto que é reproduzida no jornal em tamanho natural, ou seja, em uma perfeita coincidência mimética que simula a possibilidade de carregar esse “troféu” para cada uma das casas dos leitores. ‘Como é possível que Deus tenha permitido a existência de um ser humano tão pequeno e tão negro? Por acaso, não seria uma coisa, um animal, um ente material e objetivo?’, parecem se perguntar esses leitores enquanto experimentam diferentes reações que vão desde a piedade, a perturbação, o susto ou o desejo de brincar com a pequena mulher como se ela fosse uma boneca, até a ideia de tê-la como uma empregada. Todos esses sentimentos expressam um desejo possessivo, profundamente humano – “quem já não desejou possuir um ser humano só para si?”[11] – que tem seu gérmen no amor monstruoso de uma mãe, mas que desliza até se parecer ao de qualquer colonizador da história, ao de qualquer marido ciumento, ao de qualquer estuprador, ao de qualquer senhor escravocrata. Em uma reprodução selvagem e vertical da geopolítica mundial, a menor mulher do mundo vive junto dos outros membros de sua tribo na parte mais alta das árvores a fim de evitar que as tribos de humanos um pouco maiores a comam. Mas ao ter escapado desses homens e ao ter sobrevivido, a menor mulher do mundo também sente esse momento de liberdade, de agenciamento e de percepção da fugacidade da vida tal qual as mulheres dos outros contos experimentaram; algo que, nesse caso, tampouco pode se expressar com palavras e que se manifesta desviadamente – como nos olhos estrábicos da protagonista de “Laços de família” – no riso:

É que a menor mulher do mundo estava rindo […] A própria coisa rara estava tendo a inefável sensação de ainda não ter sido comida […] Era um riso como somente quem não fala, ri. Esse riso, o explorador constrangido não conseguiu classificar. E ela continuou fruindo o próprio riso macio, ela que não estava sendo devorada. Não ser devorado é o objetivo secreto de toda uma vida.[12]

Com esse conto e com o riso da menor mulher do mundo, o laço humano se torna inclassificável e se espalha como um ovo viscoso, produzindo incomodidade e prazer. Esse conto leva a um extremo – a um excesso – aquilo que acontece em todos os contos do volume, nos quais a literatura deforma e desfamiliariza o laço familiar que nos une à vida nos quais a escritura toma um desvio para nomeá-lo de um modo estrábico – ou, como diz Silviano Santiago – de um modo oblíquo[13], marcando sua simultânea intimidade e estrangeiridade através de uma exposição de afetos que se suspendem no umbral e que se manifestam como um zumbido, como um ruído ou como uma gargalhada.

Tradução: Diego Cervelin

[1] Professora Adjunta de Literatura no Departamento de Humanidades da Universidade de San Andrés. Doutora em Literatura Latino-Americana pela Yale University e Licenciada em Filosofia pela Universidad de Buenos Aires. Anteriormente, foi professora na Northwestern University e na Cornell University. Seu trabalho se localiza na intersecção entre filosofia e literatura e entre a imagem e a palavra, com projetos cuja constante reside na análise de formas estéticas alternativas à imaginação moderna.
[2] LISPECTOR, C. Os laços de família. In: ___. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 96.
[3] LISPECTOR, C. Os laços de família. In: ___.  Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 96.
[4] LISPECTOR. Os laços de família. Op. cit., p. 101.
[5] LISPECTOR. Os laços de família. Op. cit., p. 100-101.
[6] LISPECTOR, C. Amor. In: ___. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 22.
[7] LISPECTOR, C. Feliz aniversário. In: ___. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 64.
[8] LISPECTOR, C. A menor mulher do mundo. In: ___. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 22.
[9] LISPECTOR. A menor mulher do mundo. Op. cit., p. 69-70.
[10] LISPECTOR, C. Água viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 33.
[11] LISPECTOR. A menor mulher do mundo. Op. cit., p. 73.
[12] LISPECTOR. A menor mulher do mundo. Op. cit., p. 73-74.
[13] SANTIAGO, S. A aula inaugural de Clarice Lispector. Cotidiano, labor e esperança. In: ___. O cosmopolitismo do pobre: crítica literária e crítica cultural. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004. p. 232-241.
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