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Raquel Cors Ulloa*

Agradeço este convite da NEL-APEL Santa Cruz, especialmente a meus colegas da diretoria: Liliana Bosia, Alejandra Hornos e Fabiana Chirinos. Também agradeço à Universidade Privada Domingo Savio (UPDS) por nos permitir este espaço, ou melhor dito, este “lugar”, como preferimos dizer, nós psicanalistas, a partir de 1969, momento de O Seminário 17 de Lacan[1], em que ele faz referências aos “lugares” dos 4 discursos: o Universitário, o do Mestre, o da Histeria e o do Analista.

É assim que as Universidades – como esta – são “lugares” privilegiados para enlaçarmos o Discurso do Saber (S2).

Mas, o saber não caminha sem um desejo, e nem sempre tratamos – como ocorre na experiência analítica – com o mesmo saber. Pois há de se saber localizar a borda do semblante que permita ressoar um núcleo de gozo.

Felizmente há um desejo, “um desejo de saber”, que Lacan, em 1974, em “uma nota” dirigida aos psicanalistas italianos, disse: Só existe analista, se esse desejo lhe advier […][2]. De fato, quando este desejo advém, posso assegurar-lhes que tem efeitos.

Para iniciar esta Conferência, começarei por dizer que nem a feminilidade nem o feminino são assuntos exclusivos de mulheres.

Escolhi este título para dizer algo do Amor a… para em seguida passar a dizer algo sobre o Ódio a… E concluir – de alguma forma – pela borda de uma leitura que é um “litoral” (como quando se separa a água e o azeite), quero dizer, pela borda do que não está determinado simbolicamente, como ocorre, por exemplo, com as fronteiras. As fronteiras, diferentes do litoral, sabem delimitar o que está de um lado e o que está do outro lado, enquanto o feminino[3]…, isso que nem sempre tem nome nem imagem, é de outra ordem.

Como se sabe, não-todo responde ao que é contínuo, quer dizer, que não-todo tem uma continuidade, não-todo é uma prolongação, não-todo se encadeia, não-todo se une. Por isso, o feminino é uma maneira singular de bordear o descontínuo que há em cada um, em cada uma.

O feminino não é a feminilidade. Sempre tem algo que é deixado de fora do artefato da linguagem, nos disse Lacan em O Seminário 18, “De um discurso que não fosse semblante”.

Os homens, mas especialmente as mulheres podemos ser muito femininas, e amar os semblantes, mas estes não são Universalmente amados por todos. Não é casual que a coqueteria feminina tenha chegado – em alguns países – ao limite dos excessos: ou a ela se rechaça ou dela se abusa, ou seja: ou se a ama ou se a odeia. O certo é que esses excessos nos permitem ler o que não se atinge para dizer o que é uma mulher, muito menos A mulher – que sabemos, não existe. Por isso, cada uma é excepcional. É melhor assim, porque senão se crê “na” exceção, e esse é outro tema.

Uma coisa é o que se diz, outra coisa é o que se faz

Acontece que nós psicanalistas temos um gosto especial pelo jogo de palavras, elas jogam conosco…, nos delatam, nos surpreendem e até nos envergonham por meio de equívocos, esquecimentos, lapsos. Quando um analista escuta as assonâncias de um “ato”, mais que o blá blá blá do “dito”, poderíamos dizer que estamos diante da alegria do inconsciente.

Por que “uma coisa é o que se diz e outra é o que se faz”? Perguntem-se a si mesmos… escutem-se, não só quando falam.

Uma paciente de Freud o ensinou algo muito lindo sobre isto, disse algo como: “somente me deixe falar…”. E, sim, essa paciente era uma mulher, quer dizer que tinha algo solto… em relação à posição masculina, que se empenha em tê-lo Todo sob controle, sempre. Inclusive as palavras. Já notaram que há pessoas – umas mais que outras – que são mais hábeis com as palavras…

Cada ser falante acredita, achamos que dizemos que o queremos, mas e o que quiseram os outros, mais particularmente nossa familia, que nos fala[4]. Por isso, quando alguém fala em análise, o faz com suas marcas, com suas cicatrizes, com suas confissões, suas boas ou más intenções. Então, aí, no dispositivo analítico, um analista saberia ler o que se diz por trás do que se escuta. Porque qualquer coisa “que se diga fica esquecido por trás do que se diz no que se ouve”[5], especialmente quando se cala… E aí estamos diante desse eco no corpo, do fato de que há um dizer, sim, um dizer que é singular para cada um.

A psicanálise lê – em cada caso – isso que decanta no que se escreve da gramática pulsional.

Posso assegurá-los que não há duas escritas iguais, não há copy paste para o amor, o ódio, a feminilidade, e o feminino. Essas singularidades – assim, no plural – se leem entrelinhas durante o percurso do trajeto analítico. Portanto, não há terapia de casal, nem familiar, nem grupal que nos nivele, que nos encaixe a Todos respondendo igualmente diante dos enigmas femininos. O que há, é o que para cada um e para cada uma tem servido de interpretação na hora de tomar uma posição, como é o caso do “amor à feminilidade” (que implica os véus e os semblantes), ou na hora de assumir o que há de ou em seu “ódio ao feminino” (que é o impossível de simbolizar). E isso vale também para nós analistas que dirigimos os tratamentos, porque um analista em permanente formação, não se con-forma (forma egoica, Identificações e Ideais) à norma.

Hoje em dia, um dos discursos dominantes é o dos Ideias de Igualdade (no trabalho, “com” os filhos ou “sem” eles, com o corpo, na cama, enfim), este discurso de justiça e reivindicação social, têm efeitos na relação entre os sexos. Um exemplo é o da impotência masculina em jovens rapazes que muito cedo começam a usar Viagra para aceder a Um outro corpo.

É um problema clássico que se apresenta mais claramente nas relações heterossexuais, por exemplo, quando um homem não pode aceder a uma mulher, digamos, uma mulher como objeto père-versamente orientado, ou quando ela renuncia a ser um objeto desejado, e decide fazer prevalecer a exigência do discurso atual de que tem que caber na caixinha de ser apenas uma mulher sujeito, já não objeto. Essa dimensão tem consequências: surge a impotência, a inibição, a infantilização, o ódio, o feminicídio. O feminicídio, em sua dimensão insuportável, destrói o outro que goza diferente, é um racismo do gozo do outro. Quando um homem assassina uma mulher, a elimina, no intuito de haver buscado eliminar nela seu gozo como mulher, esse gozo que a faz outra, inclusive para ela mesma. Esse gozo é impossível de confessar, porque é um gozo enigmático, e nunca será suficiente.

Desgraçadamente, os horrorosos dados sobre a violência contra as mulheres continuam chegando em relatórios descritivos e suas elevadas estatísticas no âmbito mundial. Que diz a psicanálise sobre isso? Não basta que se diga algo, senão que se encontre algo: pela borda do insuportável, feminino. É um fato que uma análise feminiza, também a brutalidade dos homens, este lado homem que está em muitas mulheres.

Cherchez la femme[6]

É assim que na escuta analítica buscamos a mulher do caso. “Busquem a mulher” – Cherchez la femme – dizia Lacan. Esta instauração da realidade sexual do Inconsciente abre um leque de perguntas para o labirinto feminino, tão amado e tão odiado ao mesmo tempo.

O que é uma mulher? Como ser mulher? O que querem as mulheres? Como satisfazer a uma mulher? Como ser melhor, ou… pior mulher?

Se a cobre é porque não se pode descobri-la

As aparências, assim como as tradições, são importantes. O são porque têm uma função na vida, no amor, e não é só coqueteria, é uma função: e, como tal, pode nos acalmar, orientar, enlaçar, dar um marco, uma forma, um Ser, um véu. Se algo me ensina a prática cotidiana como analista – especialmente na época do Outro que não existe – é que há casos em que é melhor não tocar demasiado nos semblantes, senão até que o final o justifique.

Jacques-Alain Miller destaca que existe uma afinidade entre a psicanálise e o princípio feminino. Miller sustenta que os véus têm a função de velar o nada. De fato, desde sempre as mulheres são cobertas, se as cobrem é porque a mulher não se poder descobrir… Não há um significante que a nomeie, por isso há de se inventá-la.

Escrever em feminino

É muito lindo como cada ser falante escreve com suas homofonias e equívocos. Miquel Bassols, há alguns anos, dava este exemplo: “Quando um jovem da tribo dos Iorubás faz chegar até uma jovem de sua mesma tribo seis rosquinhas espetadas num galho e recebe como resposta um fio com oito moluscos amarrados, depois do qual decidem se casar, não estamos assistindo somente a um ritual que conjuga a pulsão oral com as relações de parentesco. É preciso saber que na língua dos Iorubás, a palavra “efan” quer dizer “seis”, mas também “enamorado”, e que a palavra “eyon” quer dizer “oito”, mas também “de acordo”. De modo que rosquinhas e moluscos são assim elevados à dignidade de uma letra como suporte material do significante para escrever uma carta de amor.”

Direi-lhes que as cartas de amor – não importa se se é homem ou mulher – se escrevem em feminino. Não são só cartas, escutemos a homofonia, o equívoco que se faz com uma carta/letter/litter/litura (rasura, resto) /litoral…

Há um Escrito de Lacan que se chama Lituraterre/Lituraterra. É um texto que propõe “ler” o que não é possível representar, o que carece do peso do sentido. Precisamente, trago aqui comigo este livro que aloja esse Escrito. Leio a vocês o que Miller escreve na contracapa: “Não-é-para-ser-lido”. Não é para ser compreendido. Se me faço um pouco poeta diria que é algo assim como essas cartas femininas lançadas numa garrafa à descontinuidade do mar… ao litoral, que carece de continuidade.

Contínuo – Descontínuo

Vamos fazer uma distinção importante a respeito do que é contínuo e do que é descontínuo, assim como uma fronteira não é um litoral.

Notem que quando há uma passagem fronteiriça – como o delimitam, por exemplo, as regras de migração ao apresentar um passaporte para passar de um país a outro por meio de um documento -, essa é uma passagem de leitura contínua, linear, fálica, contável: 1, 2, 3.

Os passos contínuos nos orientam, nos dão uma sequência – por isso acompanhamos o andar das crianças de 1 ano. E, por isso, para todo mundo é importante ir de mãos dadas com o Simbólico e de mãos dadas com o Imaginário, pelo menos no início. Mas, há de se saber que sempre haverá algo que nos escapará… e aí começamos a ler o que não-é-para-ser-lido: o Real. Isso interessa a alguns de nós “esparsos disparatados”[7] quando nos orientamos para o Real.

Para bordejar algo disso, vou servir-me do artigo neutro “o”. Esse artigo nunca acompanha nenhum nome porque todos os substantivos em espanhol só são de gênero masculino ou feminino. Assim, em vez de “El” ou “La”, sugiro o uso de “Lo”. Ir pelo Real[8] é um percurso nada fácil de transitar porque o feminino, como o analista, carece de indicações. Um analista – especialmente no final de análise -, fica seco de sentido, fica esvaziado do gozo complementar, isto é, menos apaixonado, menos afetado na hora que for ler os avatares do amor e do ódio.

Diria que quem tenha sido atravessado por uma análise “sabe ler” quando se trata do amor ao feminino e quando se trata do ódio ao feminino, começando por ele mesmo, por si mesmo, por sua própria maldade.

O que tento transmitir hoje, sem pretender que compreendam, é que em psicanálise aprendemos a ler e escrever de novo. Mais além dos títulos que outorgam um conhecimento de bacharelado, de universidade e da soma de todos os livros do mundo que se tenha lido. Um analista, em permanente formação, saberia (o digo em condicional) ler sua singular letra.

Aproximar-se dessa intimidade é, literalmente, uma questão íntima, não pública. A menos que se faça o Passe, aí a nudez é Real.

Analisar-se, escutar o saber textual do ICS, ler os modos de amar, desejar, gozar, implica bordejar um furo, porque um furo se bordeja, senão não é um furo. Tentem com um lápis ou ao fazer crochê… como queiram!

Bem, vamos pela via do ódio, que é uma via lúcida para analisar. Especialmente quando se trata do ódio às mulheres. Não é casual que desde sempre, há séculos, às mulheres lhes é “mal-dito” mulher ou se as mal-diz. Amaldiçoá-las, difamá-las, maltratá-las, humilhá-las, segue e seguirá sendo uma questão de todos os dias. Não sei como estão ou estarão as coisas aqui em Santa Cruz – Bolívia, mas em cada cultura, basta um botão de amostra para ler: se se ama ou se odeia o feminino;  se detectam esse botão, lerão os modos de des-velar o gozo.

De que amor se trata?

Disse Miller, “que os homens amem às mulheres, não é uma evidência, é um problema”[9]. De fato, embora o amor não resolva a contradição dos gozos, é preciso saber que o amor de uma mulher por um homem é pelo feminino, assim como o amor de um homem por uma mulher é pelo feminino, “pelo feminino que há nele” (recordem que o feminino não é a feminilidade).

Falemos um pouco do amor… A partir do momento em que alguém decide ir com um analista e não com outro, essa escolha – em si mesma – tem a ver com o amor. Algo da flechinha de Eros se dirige a um psicanalista a quem se Supõe um Saber, mas é um saber ao ICS. Diante dessa Demanda de amor – que é algo que se leva a um psicanalista –, esse analista, advertido do amor que se trata na análise, saberá que o “lugar” que vai ocupar aí é o lugar dos significantes. Não é demais dizê-los – parecerá uma obviedade –, mas assim mesmo os digo: o analista não é o “lugar” do pai, da mãe, do filho, do amigo ou do colega. A psicanálise não tem que ser uma questão religiosa nem familiar.

Certamente que – pela estrutura do sujeito –, para um paciente, seu analista passa a estar incluído em sua história. Ou seja, o analista inevitavelmente entrará nos afetos e significantes amorosos, sim, mas não somos incautos (crédulos, inocentes) dos enganos do amor.

Há um Seminário de Lacan sobre A transferência, o recomendo a vocês, é O Seminário 8. No Capítulo 12 deste Seminário, encontrarão a referência a uma cena de confissão extraordinária, a de Alcebíades à Sócrates (é um capítulo que gosto de ler porque explica claramente o que é a verdade mentirosa, quer dizer, o Inconsciente transferencial que sim ou sim se atravessa numa análise). Lacan, nesse Seminário, se vale de “O Banquete” de Platão, e o faz para localizar como Alcebíades mente em nome da verdade. Poderíamos dizer que por detrás de cada paciente há um Alcebíades.

O banquete era uma cerimônia com certas regras. Nesse banquete, cada um dos participantes dava um discurso e o fazia sobre um tema específico; nesta ocasião se tratava de “O amor”. O banquete tinha uma regra: não beber demasiado, mas houve alguém que se excedeu bebendo, foi Alcebíades, que entrou totalmente bêbado rompendo as leis desse ritual platônico. Leiam-no com atenção. Por hora, só lhes transmito a parte que nos interessa analiticamente e é a desarmonia do amor, pois quando há uma irrupção, especialmente no estatuto do amor de transferência, estamos em outro registro. Nesse Banquete – como na análise –, se tratava do amor, e no amor sempre há um amante e um amado.

Há um Erastes, que é o amante, e há um Eromenos, que é o amado. O que caracteriza um amante (Erastes) é o que lhe falta, mesmo que não se saiba bem o que é isso que lhe falta… Portanto, ao estar em falta, o amante será quem deseja. Enquanto que o que caracteriza o amado, ou melhor dito, o “objeto” amado (Eromenos), é que ele não sabe o que tem, quer dizer que não-sabe o que constitui seu atrativo. Portanto, é o desejado.

Erastes

Amante

$

Não sabe o que lhe falta -φ

O que deseja

*

Eromenos

Amado

Objeto

Não sabe o que tem

O desejado

O problema do amor, porque, sejamos sinceros, é um problema (!), é que “o que falta a um, não está no outro”. E sempre é assim! Entre o amante e o amado não-há-relação-sexual, isto é, não-há proporção entre os sexos. Então, temos todo o leque com os problemas das meias laranjas, o yin e o yang etc., etc., etc.

Como dizia a vocês no início: o feminino não se trata só delas… Senão de algo “em” elas. Para alguns, a castração nelas está desde a origem, para outros, se presentifica como o horror. Não é casual que os varões se protejam. Não é casual que a sabedoria popular diga que “Muitas vezes a mulher varia… louco está quem dela se confia”.

O que é que se odeia do feminino?

Em 1932, Sigmund Freud, em um texto intitulado “Por que a guerra?”, percebe que não é possível separar o ódio e o amor. Desde aquele momento, Freud situou a violência em termos de Pulsão de morte, expressando a intensidade do ódio aos estranhos.

O ódio facilmente aponta para fora, ao que é distinto, ao estrangeiro, ao estranho, ao diferente, ao vizinho que festeja, pensa, sente, se veste, goza de outro modo. Se escuta dizer “odeio tal coisa”. Bem, essa coisa, que às vezes se crê que é uma pessoa, não é ela, não é ele, senão o ódio ao que é diferente.

Se odeia com paixão, sim, assim como se ama com-paixão. É preciso saber quais paixões nos apaixonam mais, com paixão ou a compaixão do amor ao próximo. É necessário analisar-se para se aproximar ao ódio de cada um, não sem os intervalos de amor.

Para ir concluindo, deixo uma pergunta: o que faz com que o Outro seja Outro para odiá-lo? Será um Erastes ou um Eromenos. Se aquele que se odeia o supomos possuidor de um modo de gozo diferente ao nosso, se tratará então de um gozo do qual carecemos?

Estes temas estão na ordem do dia. Recordemo-nos todo o tempo que a maldade – como disse Hannah Arendt – é banal e que “o mais terrível dos seres monstruosos é que podem parecer normais”. Deixem-me lhes dizer que há banalidades agressivas, violentas, auto-castigadas, autoimunes, que passam ao ato como se não fossem mais que um assassinato imotivado para os jornais sensacionalistas.

Jacques Lacan usa uma palavra grega, Kakón, que significa “mal”. Talvez o faça para recordarmo-nos que algo desse mal que está em cada um, a qualquer momento pode sair para o pior… sem mediação feminina, burlando-se do amor, rechaçando o feminino.

 

Tornar-se amigo do Real

Finalmente, uma proposta amigável: tomo-a de Lacan, já que ele a propõe pela via do feminino e é a de “tornar-se amigo do Real”. É uma proposta, com a condição de que este novo amor esteja à prova do impossível, do insuportável, do Real.

Aproximar-me dignamente do feminino foi, em meu caso, uma grata surpresa, constatada no final de análise, pois o feminino não é mais que um gozo que como tal já não tem para mim o amado e o odiado peso das palavras.

Obrigada!

Santa Cruz de la Sierra, sexta-feira, 4 de outubro de 2019.

Tradução: Nelson Matheus Silva (Cartelizante EBP)
Revisão: Marcela Antelo
Conferência pública proferida no dia 4 de outubro de 2019, realizada na UPDS de Santa Cruz – Bolívia, disponível em Radio Lacan: http://www.radiolacan.com/es/topic/1298/3
*Raquel Cors Ulloa é psicanalista em Santiago de Chile, Membro da AMP e da NEL. AE em exercício (2018-2021).
O XXIII Encontro Brasileiro do Campo freudiano agradece à autora a disponibilização do texto para divulgação no Boletim Infamiliar.

REFERÊNCIAS
FREUD, Sigmund [1932] Por que a guerra? In: Obras completas de Sigmund Freud, Volume 18. São Paulo: Cia das Letras, 2010.
LACAN, Jacques [1960-61] O Seminário, livro 8: A transferência Rio de Janeiro: Zahar, 1992.
LACAN, Jacques [1969-70] O Seminário, livro 17: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.
LACAN, Jacques [1970-71] O Seminário, livro 18: De um discurso que não fosse semblante. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.
LACAN. Jacques [1972] O Aturdito. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar. 2003.
LACAN, Jacques [1974] Nota italiana. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
LACAN, Jacques [1975-76] O Seminario, livro 23: O sinthoma. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar. 2007.
LACAN, Jacques [1976] Prefácio à edição inglesa do Seminário 11. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
MILLER, Jacques-Alain [1989] Los divinos detalles. Buenos Aires: Paidós, 2014.

[1] LACAN, Jacques [1969-70]. O Seminário, livro 17: O avesso da psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.
[2] LACAN, Jacques [1974], Nota Italiana. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p.313.
[3] NOTA DO TRADUTOR: Em espanhol, tem sido optado por se o utilizar o artigo indefinido “lo” ao se tratar do feminino. Em português, tal artigo não encontra uma correspondência direta. Para tanto, decidimos destacar no texto o artigo sempre que este fizer referência a uma neutralidade no gênero gramatical do substantivo que o acompanhará, a fim de remeter à significação a qual a autora quis provocar.
[4] LACAN, Jacques [1975-76]. O Seminário, livro 23: O sinthoma. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar. 2007. p 158.
[5] LACAN, Jacques [1972]. O aturdito. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 448.
[6] N.T.: “Cherchez la femme” é uma expressão idiomática francesa cuja tradução literal é “procurem a mulher”, sempre se trata delas. A expressão vem do livro de 1854, “Les Mohicans de Paris”, de Alexandre Dumas Père.
[7] LACAN, Jacques [1976]. “Prefácio à edição inglesa do Seminário 11”. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 569.
[8] N.T.: “por lo Real” (em espanhol).
[9] MILLER, Jacques-Alain [1989]. Los divinos detalles. Buenos Aires: Paidós, 2014. p.52.