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Paulo Leminski[1]

 

Esta língua não é minha,

qualquer um percebe.

Quem sabe maldigo mentiras,

vai ver que só minto verdades.

Assim me falo, eu, mínima,

quem sabe, eu sinto, mal sabe.

Esta não é minha língua.

A língua que eu falo trava

uma canção longínqua,

a voz, além, nem palavra.

O dialeto que se usa

à margem esquerda da frase,

eis a fala que me lusa,

eu, meio, eu dentro, eu, quase.

 

 


 
[1] LEMINSKI, Paulo. Invernáculo. Em: LEMINSKI, Paulo. O ex-estranho. São Paulo: Iluminaras, 2013.